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Individualidade transitória

Altar eclético, rituais Yanomamis, fim de ano e a lua nova

Esse é o nosso altar eclético: me identifico demais com tudo que é selvagem ou da terra, como artefatos feitos à mão de origem indígena, africana, mexicana ou oriental.
O fogo é o meu elemento para intenções, talvez até porque eu seja totalmente água no zodíaco.
Fim de ano chegando, penso em fim, começo, mortes e renascimentos.
Meus rituais com certeza terão fogo por aqui!
Quero contar de um ritual coletivos feito por uma amiga, Gabi Valente: toda lua nova ela reúne amigas, virtualmente, para intencionar juntas o próximo mês. Em dezembro será dia 19, você pode aproveitar para organizar o seu, hein?
A queda do céu, filme que está em cartaz no Brasil - eu ainda não vi mas quero muito - está baseado no livro de mesmo nome. Ele acompanha o ritual fúnebre Reahu, a mais importante cerimônia dos Yanomami, que reúne centenas de parentes dos falecidos com a finalidade de apagar todos os rastros daquele que se foi pra colocá-lo em esquecimento.
Como assim eles querem ser esquecidos se o maior desejo da gente é ser lembrado?
Para eles a morte não é o fim. Esquecer-se significa liberar a alma para continuar o seu caminho espiritual. As cinzas desse corpo cremado são comidas em um mingau, reincorporando o morto coletivamente.
A cerimônia reúne diversas aldeias, reforçando alianças sociais, solidariedade e união entre os grupos. Como se a morte viesse para nos lembrar que a individualidade é transitória e que no fundo somos todos um.

Fico com essa imagem para a minha transição de 2025 para 2026: renascer pode ser retornar ao coletivo!

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