Escutar e observar. Incorporar. Manusear. Lembra desses 3 estágios? Agora vem ENTREGAR.
Esse momento merece uma longa respiração de olhos fechados - inspira, expira.
Antes da decisão que diz “está pronto”, todas nós passamos por várias dúvidas e medos. Olhamos para o que fizemos e percebemos que conseguimos movimentar as ideias que tínhamos em mente, conseguimos trabalhar com o material que queríamos, conseguimos ir fundo onde precisava e fizemos aquilo ter forma.
Mas tem um incômodo em algum lugar, tem algo que não está certo. É aqui pra onde a gente direciona nossa atenção: para esse incômodo, que é, antes de tudo, um sentimento. Que sentimento é esse? Como ele se manifesta? Ele é conhecido ou novo?
Enquanto a gente não souber qual a natureza dele, a insegurança vai impedir de fazer a entrega necessária, a entrega daquilo que você vinha preparando ao longo das últimas semanas. Uma pergunta que você pode se fazer ao avaliar, ao analisar esse sentimento, é: tem a ver com algo que falta no trabalho ou com você mesma, diante da possibilidade de colocar isso tudo pro mundo?
Se você entender que é a partir do seu corpo que esse sentimento vem, não tem muito jeito, é reunir coragem! Buscar apoio em si mesma e nas pessoas ao seu redor, sentir fundo que o seu trabalho não é você e que toda chance de errar é uma chance de viver.
Se você identifica que o sentimento é em relação ao trabalho que você fez, a dica é voltar para o começo para escutar de novo - agora de forma direcionada: não o espaço mais amplo, mas aquilo que você realizou. O projeto realizado pode ser muito falante se você se dedicar a ouvir. Pode te dizer do que ele mesmo sente falta e do que está sobrando.
Mas é bem verdade que entregar não significa concluir tudo. Significa assumir o ponto em que se está. Essa é a diferença, o reconhecimento e o assumir daquela forma. É um fim de ciclo porque algo deixa de ser interno, secreto, protegido. E é um começo porque, ao ser entregue, aquilo passa a existir em relação ao outro, ao mundo, ao imprevisto. Há expectativa, sim, mas também alívio. O peso muda de lugar.
Aqui não tem como se referenciar em outros exemplos. Essa decisão é muito íntima, é só sua. A verdade é que toda entrega verdadeira carrega, mesmo que no fundo, uma transformação discreta: a pessoa já não é a mesma que começou a observar. E isso, mesmo que ninguém veja, já é suficiente.








