Em um mundo que estimula respostas rápidas, escutar e observar são gestos quase subversivos. Eles pedem tempo, suspensão de julgamentos e disponibilidade.
Escutar e observar não pertencem apenas aos ouvidos ou aos olhos; eles exigem o nosso corpo inteiro, de presença. É por meio deles que o importante começa a se separar do resto.
Quando estamos na etapa de observar e escutar, não é preciso dar um “para quê” àquilo que chega. É um exercício de coleta: sons, gestos, padrões, cores. Só depois é que essas coisas vão formar uma nova ideia.
Esses verbos são a base de qualquer projeto, especialmente aqueles que exigem criatividade. Não há criação sem escuta. Não há intervenção sem observação. Antes de agir, decidir ou interpretar, é necessário fazer uma coisa de cada vez: escolher olhar, escolher ouvir. O corpo inteiro participa do processo de atenção.
Quando isso acontece, a criatividade encontra espaço para se expandir, porque passa a trabalhar com o material mais rico e verdadeiro.
Temple Grandin, uma mulher autista, desenvolveu a capacidade de traduzir como os animais viam e percebiam os ambientes, lá nos Estados Unidos. Por exatamente ser autista, ela pôde observar com atenção e escutar sinais que as pessoas neurotípicas ignoravam. Ela conseguiu, então, redesenhar espaços e práticas, melhorando significativamente a vida dos animais.
No famoso TED Talk que conta sua trajetória, ela mostra como escutar e observar podem ser ferramentas transformadoras para formas mais éticas e sensíveis de convivência.
Escutar e observar, afinal, não são apenas verbos de atenção; são verbos de relação.
Se você não sabe muito bem como começar seu novo projeto, mas sente que a vida está te chamando para algo novo, aqui vão três passos fáceis de executar no seu dia a dia:
Primeira tarefa: reserve um tempo para você. Diria que o ideal é uma hora, mas meia hora também pode te dar muito, três vezes na semana. Que tal?
Segundo passo: nesse tempo de meia hora, você pode observar na sua casa mesmo: o que você gosta nela? É a cozinha, a sala, a janela, a porta? Observa só. Observa. O que você não gosta, acha feio ou acha bonito. Ao reconhecer o seu próprio lugar, fica mais fácil identificar o que você quer de novo na sua vida.
Terceiro passo: escute as vozes da sua cabeça, aquelas que vivem falando e não te deixam em paz. Deixa o celular de lado — não esquece — coloca um cronômetro de meia hora, larga o celular e escuta. Se essas vozes estiverem caladinhas, pergunta coisas do tipo: “Se eu pudesse sonhar sem limites, quais seriam os meus sonhos? Se eu pudesse fazer algo novo, o que seria?” E sonha, viaja... faz isso sem pressa.
Na próxima semana, eu vou te falar sobre o segundo verbo: incorporar, que é quando as ideias se movem para o campo da transformação. Até lá!








